{"id":2576,"date":"2023-05-03T16:25:48","date_gmt":"2023-05-03T19:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=2576"},"modified":"2023-05-03T16:31:35","modified_gmt":"2023-05-03T19:31:35","slug":"o-rinoceronte-eugene-ionesco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=2576","title":{"rendered":"O RINOCERONTE &#8211; Eug\u00e8ne Ionesco"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Jornal-Abril.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; title_text=&#8221;Jornal Abril&#8221; show_in_lightbox=&#8221;on&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; text_font_size=&#8221;15px&#8221; custom_margin=&#8221;21px||||false|false&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p>Em 25 de novembro de 1958 o dramaturgo Eug\u00e8ne Ionesco fez a primeira apresenta\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico da pe\u00e7a <em>O rinoceronte<\/em>, lendo apenas o terceiro ato para uma plateia no Vieux-Colombier, em Paris, n\u00e3o sem antes dar um alerta dizendo: \u201ca pe\u00e7a \u00e9 para ser representada, e n\u00e3o lida. Se eu fosse os senhores, n\u00e3o teria vindo\u201d. \u00a0Por\u00e9m posso afirmar que mesmo quem s\u00f3 tenha tido a oportunidade de aproxima\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do texto j\u00e1 \u00e9 profundamente tocado e transformado por esta obra.<\/p>\n<p>Meu contato foi tardio, coisa de dez ou quinze anos atr\u00e1s e fiquei impressionada com o paralelo que podia ser feito com o que j\u00e1 se percebia no Brasil. Era o avan\u00e7o de algo que envolvia o elogio ao pensamento raso, ao individualismo, ao grotesco e violento, acompanhado pela deprecia\u00e7\u00e3o de tudo que estivesse relacionado \u00e0 busca pela compreens\u00e3o, pelo entendimento e conhecimento amplo e profundo dos fatos. Envolvia a prefer\u00eancia pela resposta f\u00e1cil, simplista e fanfarrona, emoldurada pela super valoriza\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia, da vida transformada em selfies, imagens vazias geradoras de visualiza\u00e7\u00f5es que passavam a definir a relev\u00e2ncia daquele \u201cavatar\u201d, independente do que ele tinha a dizer \u2013 e normalmente n\u00e3o tinha e ainda n\u00e3o tem nada a dizer.<\/p>\n<p>Em <em>O Rinoceronte, <\/em>o personagem B\u00e9renger e seu amigo Jean, numa manh\u00e3 de domingo, s\u00e3o surpreendidos com a vis\u00e3o de um ou dois rinocerontes em disparada pela rua principal da cidade. A princ\u00edpio ningu\u00e9m d\u00e1 muita import\u00e2ncia desde que os grandes animais n\u00e3o provocassem interfer\u00eancia significativa na rotina local. Por\u00e9m com o tempo mais e mais rinocerontes aparecem causando p\u00e2nico com movimenta\u00e7\u00f5es de enorme alvoro\u00e7o e extrema viol\u00eancia. \u00a0Os personagens principais constatam ent\u00e3o, que s\u00e3o os pr\u00f3prios moradores que est\u00e3o se transformando.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;3px|||||&#8221;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; text_font_size=&#8221;15px&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p>Os argumentos usados pelos personagens que n\u00e3o resistiam \u00e0 nova tend\u00eancia, foram comparados pelo p\u00fablico alem\u00e3o, quando a pe\u00e7a foi levada \u00e0 D\u00fcsseldorf, como os mesmos utilizados por aqueles que n\u00e3o resistiram a tenta\u00e7\u00e3o de Hitler. \u00a0Alguns optavam pela exist\u00eancia paquid\u00e9rmica porque admiravam a for\u00e7a bruta e a simplicidade que nasce da supress\u00e3o dos sentimentos humanos refinados; outros buscavam entender seu racioc\u00ednio e acreditavam que s\u00f3 a experi\u00eancia como tal lhes traria a compreens\u00e3o; alguns acreditavam que deviam acompanhar a op\u00e7\u00e3o de patr\u00f5es \u00a0e familiares pela transforma\u00e7\u00e3o e outros ainda, simplesmente n\u00e3o suportavam a ideia de serem diferentes da maioria.<\/p>\n<p>Dizem que <em>O Rinoceronte<\/em> representa o sentimento de Ionesco antes de deixar a Rom\u00eania (sua terra natal) em 1938, quando um n\u00famero cada vez maior de seus conhecidos aderia ao movimento fascista da Guarda de Ferro. Como disse ele pr\u00f3prio:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Como sempre, voltei \u00e0s minhas obsess\u00f5es pessoais. Lembrei-me de que no curso de minha vida tenho ficado muito impressionado pelo que podemos chamar de corrente de opini\u00e3o, sua r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o, seu poder de cont\u00e1gio, que \u00e9 o mesmo de uma epidemia de verdade. Repentinamente as pessoas se deixam invadir por uma nova religi\u00e3o, uma nova doutrina, um novo fanatismo&#8230; Em tais momentos testemunhamos uma verdadeira muta\u00e7\u00e3o mental. N\u00e3o sei se j\u00e1 notaram, mas quando as pessoas n\u00e3o compartilham mais as nossas opini\u00f5es, quando n\u00e3o conseguimos mais nos fazer compreender por elas, temos a impress\u00e3o de estarmos vendo monstros \u2013 rinocerontes, por exemplo. Ficam com essa mesma mistura de candura e ferocidade, e se tornam capazes de nos matar com a consci\u00eancia tranquila. E a hist\u00f3ria demonstrou que no \u00faltimo quarto de s\u00e9culo as pessoas assim transformadas n\u00e3o s\u00f3 parecem rinocerontes, mas realmente transformaram-se em rinocerontes.\u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>No final de <em>O Rinoceronte <\/em>apenas B\u00e9renger restou como humano e ele ent\u00e3o, passa a ser o monstro e lamenta amargamente n\u00e3o conseguir se transformar em rinoceronte. \u00c9 a\u00ed que a pe\u00e7a vai al\u00e9m da simplifica\u00e7\u00e3o mostrando a complexidade da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: O Teatro do absurdo \u2013 Martin Esslin \u2013 Zahar<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; text_font_size=&#8221;13px&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p style=\"padding-left: 150px;\">*Eug\u00e8ne Ionesco, um dos maiores dramaturgos do teatro do absurdo, nasceu em Slatina, na Rom\u00eania, a 26 de novembro de 1912. Sua m\u00e3e, Th\u00e9r\u00e8se Icard, era francesa e pouco depois de seu nascimento mudaram-se para Paris. No princ\u00edpio da adolesc\u00eancia regressou \u00e0 Rom\u00eania, onde se formou como professor de franc\u00eas. Regressou \u00e0 Fran\u00e7a em 1938 para concluir a sua tese de doutoramento. Apanhado pela eclos\u00e3o da guerra, em 1939, Ionesco permaneceu na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 25 de novembro de 1958 o dramaturgo Eug\u00e8ne Ionesco fez a primeira apresenta\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico da pe\u00e7a O rinoceronte, lendo apenas o terceiro ato para uma plateia no Vieux-Colombier, em Paris, n\u00e3o sem antes dar um alerta dizendo: \u201ca pe\u00e7a \u00e9 para ser representada, e n\u00e3o lida. Se eu fosse os senhores, n\u00e3o teria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2577,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"1080","om_disable_all_campaigns":false,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[54,8,53,9],"class_list":["post-2576","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jornal-noticiario","tag-eugene-ionesco","tag-jornal-noticiario","tag-o-rinoceronte","tag-rosana-almendares"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2576"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2576\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2583,"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2576\/revisions\/2583"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2577"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}