{"id":2442,"date":"2022-08-16T18:08:57","date_gmt":"2022-08-16T21:08:57","guid":{"rendered":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=2442"},"modified":"2022-08-16T18:14:46","modified_gmt":"2022-08-16T21:14:46","slug":"achille-mbembe-e-a-critica-da-razao-negra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=2442","title":{"rendered":"Achille Mbembe e a Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Negra"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Jornal-Noticiario-Julho-2022-Rosana-Almendares.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; title_text=&#8221;Jornal-Noticiario-Julho-2022-Rosana Almendares&#8221; show_in_lightbox=&#8221;on&#8221; box_shadow_style=&#8221;preset3&#8243; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243; width=&#8221;85%&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_font_size=&#8221;15px&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p>A Europa em decorr\u00eancia principalmente da expans\u00e3o colonialista que vinha desde o s\u00e9culo XVI, acabou ocupando no s\u00e9culo XIX o posto de centro do mundo, tanto econ\u00f4mico como de produ\u00e7\u00e3o de pensamento. A partir desta centralidade cria uma concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento tendo a si mesma como modelo, como centro do universo, da pr\u00f3pria raz\u00e3o, da verdadeira humanidade. O mundo \u00e9 visto a partir de si e em rela\u00e7\u00e3o a si e o outro, aquele que n\u00e3o se encaixa na sua imagem \u00e9 considerado um objeto ou algo amea\u00e7ador que deve ser combatido e pode ser explorado.<\/p>\n<p>A fil\u00f3sofa Suze Piza, em uma de suas aulas, aborda o tema da <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Negra<\/em> concebida pelo fil\u00f3sofo Achille Mbembe, onde o autor vai buscar a fonte do pensamento racista, o saber e o poder que est\u00e3o envolvidos e a partir da\u00ed estabelecer seus limites.<\/p>\n<p>Mbembe nasceu perto de Ot\u00e9l\u00e9 nos Camar\u00f5es Franceses em 1957. Obteve em 1989 seu Ph.D. em hist\u00f3ria na\u00a0Universidade de Sorbonne\u00a0em\u00a0Paris, na Fran\u00e7a. Posteriormente um D.E.A. em ci\u00eancia pol\u00edtica no\u00a0Instituto de Estudos Pol\u00edticos na mesma cidade.\u00a0Com grande atua\u00e7\u00e3o em diferentes universidades e na produ\u00e7\u00e3o de pensamento, rejeita o termo que lhe \u00e9 concebido pelos seus pares de p\u00f3s-colonial porque v\u00ea seu projeto como um trabalho tanto de aceita\u00e7\u00e3o quanto de transcend\u00eancia da diferen\u00e7a, em vez de um retorno para uma terra natal original, marginal e n\u00e3o-metropolitana. Entre suas publica\u00e7\u00f5es est\u00e3o <em>Necropol\u00edtica<\/em>, <em>A cr\u00edtica da Raz\u00e3o Negra<\/em>, <em>Sair da Grande Noite<\/em>, <em>De La Postcolonie e Pol\u00edticas da Inimizade<\/em>.<\/p>\n<p>O racismo implica numa viol\u00eancia projetada contra algu\u00e9m, tem a ver com a aniquila\u00e7\u00e3o de um outro espec\u00edfico. A viol\u00eancia racial opera no n\u00edvel imagin\u00e1rio e no simb\u00f3lico constitu\u00eddo de uma s\u00e9rie de imagens, cren\u00e7as, fic\u00e7\u00f5es e del\u00edrios, que muitas vezes a pessoa que opera com esses elementos nem sabe de onde eles v\u00eam j\u00e1 que \u00e9 um imagin\u00e1rio constru\u00eddo h\u00e1 muitas gera\u00e7\u00f5es e repetido como um h\u00e1bito. Elas sentem medo de algo e n\u00e3o conseguem dizer especificamente medo do qu\u00ea. Esse imagin\u00e1rio de medo e repulsa sustenta todo o tipo de viol\u00eancia racista que mata todos os dias, que persegue, que expulsa pessoas dos postos de representa\u00e7\u00e3o e poder.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_font_size=&#8221;15px&#8221; text_orientation=&#8221;justified&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<\/p>\n<p>A Raz\u00e3o Negra n\u00e3o \u00e9 tratada por Achille Mbembe como uma faculdade de conhecimento e sim como um conjunto de vozes, enunciados, discursos, saberes, coment\u00e1rios e disparates que o homem branco colonizador utilizou para criar uma imagem sobre as pessoas africanas. S\u00e3o discursos do homem branco sobre o africano n\u00e3o baseado em conhecimento, mas em reconhecimento ou na falta dele. Enunciados do homem branco que tem a si mesmo como modelo de superioridade e ao n\u00e3o reconhecer no outro a imagem de si, despreza esse outro, justificando a partir da\u00ed a coloniza\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o e a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Negra<\/em> vai buscar a fonte do pensamento racista. Quem produz essa raz\u00e3o negra? Quem sustenta essa raz\u00e3o ao ponto do racista se achar superior a uma pessoa negra? Como o conceito de ra\u00e7a vai justificar que determinadas pessoas podem virar coisas? Por que determinadas pessoas podem ser aniquiladas? E como essa raz\u00e3o negra vai interferir na autopercep\u00e7\u00e3o do negro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mbembe sustenta que a Europa \u00e9 a produtora desta raz\u00e3o, uma vez que ela historicamente realizou os processos de coloniza\u00e7\u00e3o. Colonizou a \u00c1frica transformando seres humanos em mercadorias, precisando afim de justificar tais atos, criar uma s\u00e9rie de teorias de superioridade de si mesma numa l\u00f3gica limitada de autocontempla\u00e7\u00e3o. A imagem do negro e da negra se d\u00e1 num contexto limitado de n\u00e3o reconhecimento de si mesmo no outro, criado a partir do n\u00e3o entendimento do outro, repleto de fic\u00e7\u00e3o, de imagin\u00e1rio pervertido e m\u00e1gico. J\u00e1 o negro vai se ver na diferen\u00e7a, como se ele fosse um n\u00e3o, vivendo um duplo do que ele \u00e9 e o que dizem que ele \u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Suze Piza conclui dizendo que Mbembe ao fazer a <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Negra<\/em> est\u00e1 fazendo uma cr\u00edtica ao discurso do racismo. Est\u00e1 propondo novos discursos, novos referencias, apostando na constru\u00e7\u00e3o de um novo arquivo, buscando superar esse projeto euro-americano de dom\u00ednio do mundo e a partir do entendimento desses processos hist\u00f3ricos, poder combater os distintos modos de submiss\u00e3o do outro.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Europa em decorr\u00eancia principalmente da expans\u00e3o colonialista que vinha desde o s\u00e9culo XVI, acabou ocupando no s\u00e9culo XIX o posto de centro do mundo, tanto econ\u00f4mico como de produ\u00e7\u00e3o de pensamento. 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