{"id":1843,"date":"2020-12-10T19:49:14","date_gmt":"2020-12-10T22:49:14","guid":{"rendered":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=1843"},"modified":"2021-05-20T22:25:28","modified_gmt":"2021-05-21T01:25:28","slug":"julho-2020","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=1843","title":{"rendered":"RA\u00c7A, VERDADE OU FORMA DE JUSTIFICAR O INJUSTIFIC\u00c1VEL?"},"content":{"rendered":"\n[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243; custom_padding=&#8221;||6px|||&#8221;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Jornal-Noticiario-Julho-2020.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; title_text=&#8221;Jornal Notici\u00e1rio Julho-2020&#8243; show_in_lightbox=&#8221;on&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;1_2&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<h1>Ra\u00e7a, verdade ou forma de justificar o injustific\u00e1vel?<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Rosana Almendares<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro Racismo Estrutural (S\u00e3o Paulo- P\u00f3len, 2019), Silvio Luiz de Almeida aponta que a no\u00e7\u00e3o de <em>ra\u00e7a <\/em>como refer\u00eancia \u00e0 distintas categorias de seres humanos, remonta a meados do s\u00e9culo XVI e n\u00e3o pode ser desvinculado do contexto das grandes navega\u00e7\u00f5es, da expans\u00e3o econ\u00f4mica mercantilista e da consequente reflex\u00e3o sobre a multiplicidade da exist\u00eancia humana. \u201c&#8230;o contexto da expans\u00e3o comercial burguesa e da cultura renascentista abriu as portas para a constru\u00e7\u00e3o do moderno ide\u00e1rio filos\u00f3fico que mais tarde transformaria o europeu no homem universal&#8230;e todos os povos e culturas n\u00e3o condizentes com os sistemas culturais europeus em varia\u00e7\u00f5es menos evolu\u00eddas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o iluminismo lan\u00e7ou as bases te\u00f3ricas que resultaram no conceito de civiliza\u00e7\u00e3o baseado na liberdade e igualdade universais, fundamento das grandes revolu\u00e7\u00f5es liberais contra as institui\u00e7\u00f5es absolutistas, como o europeu do s\u00e9culo XIX poderia justificar as contradi\u00e7\u00f5es dos processos de coloniza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios nas Am\u00e9ricas, na \u00c1frica, na \u00c1sia e na Oceania? Segundo Silvio Almeida \u201c\u00e9 neste contexto que a ra\u00e7a emerge como um conceito central para que a aparente contradi\u00e7\u00e3o entre a universalidade da raz\u00e3o e o ciclo de morte e destrui\u00e7\u00e3o do colonialismo e da escravid\u00e3o possam operar simultaneamente como fundamentos irremov\u00edveis da sociedade contempor\u00e2nea\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;4px|||||&#8221;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<p style=\"text-align: justify;\">Nada mais adequado para naturalizar os horrores cometidos nos processos de coloniza\u00e7\u00e3o, processos sempre acompanhados de assassinatos, genoc\u00eddios, torturas e as piores pr\u00e1ticas inimagin\u00e1veis, do que afirmar que tais povos pertenciam a ra\u00e7as inferiores. Eram tidos por infelizes, degenerados, animais irracionais, sem hist\u00f3ria, bestiais e envoltos em ferocidade e supersti\u00e7\u00e3o, ou seja, desumanizados. \u201cO neocolonialismo assentou-se no discurso <em>da inferioridade dos povos colonizados<\/em>, que segundo seus formuladores estariam fadados \u00e0 desorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ao subdesenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que no s\u00e9culo XX a antropologia e a biologia tenham demonstrado que diferen\u00e7as biol\u00f3gicas ou culturais n\u00e3o justificam o tratamento discriminat\u00f3rio entre os seres humanos, a no\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a continua sendo usada para naturalizar a desigualdade em nossa sociedade e genoc\u00eddios cometidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil a naturaliza\u00e7\u00e3o da morte de jovens negros, a naturaliza\u00e7\u00e3o do fato de a maior parte da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria ser de negros, do baixo n\u00famero de negros em posi\u00e7\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o, a naturaliza\u00e7\u00e3o da extin\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, a avers\u00e3o que parte da popula\u00e7\u00e3o tem \u00e0 governos que colocam estas pessoas no or\u00e7amento do Estado, demonstra qu\u00e3o eficaz foi essa constru\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a hierarquizada e como continua a servi\u00e7o de justificar o injustific\u00e1vel.<\/p>\n[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_divider _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<h1><strong>Entrevista<\/strong><\/h1>\n<h1>Nadir Maria de Jesus<\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nadir Maria de Jesus \u00e9 professora aposentada, ex-conselheira tutelar, foi vice-presidenta do Conselho de Matriz Africana, Educadora Social, chefe do Departamento de Igualdade Racial da Secretaria de Direitos Humanos de S\u00e3o Leopoldo e presidente interina do CMPIR (Conselho Municipal de Promo\u00e7\u00e3o de Igualdade Racial).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha primeira pergunta para a professora Nadir foi em rela\u00e7\u00e3o aos recentes assassinatos que tiveram repercuss\u00e3o mundial resultando em protesto pelo mundo a fora, especificamente o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, imobilizado no ch\u00e3o, dizendo &#8216;n\u00e3o consigo respirar&#8217; enquanto o policial mant\u00e9m o joelho sobre seu pesco\u00e7o, o de Jo\u00e3o Pedro, adolescente baleado dentro de casa durante opera\u00e7\u00e3o policial e de Miguel Ot\u00e1vio Santana da Silva, menino que estava aos cuidados da patroa de sua m\u00e3e e caiu do pr\u00e9dio de luxo, os dois \u00faltimos casos ocorridos no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Professora Nadir &#8211;<\/strong> <em>O racismo infelizmente sempre esteve presente em nossas vidas. Estamos h\u00e1 mais de 300 anos com o joelho em nossos pesco\u00e7os, a diferen\u00e7a \u00e9 que agora,\u00a0 devido a tecnologia, alguns atos de viol\u00eancia contra o povo Negro est\u00e3o sendo filmados e compartilhados para o mundo todo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>As desigualdades entre etnias s\u00e3o enormes e se evidenciam em todas as \u00e1reas, mas fica mais evidente na \u00e1rea da habita\u00e7\u00e3o e na inclus\u00e3o no mercado de trabalho. Negros, mesmo sendo a maioria no Brasil, se encontram nas vilas, nas favelas, ocupam os cargos mais vulner\u00e1veis e ainda s\u00e3o em menor n\u00famero nas universidades e faculdades. Isso n\u00e3o se d\u00e1 por falta de interesse e sim por falta de oportunidades.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Neste momento os Movimentos Negros em todo pa\u00eds est\u00e3o em alerta e se mobilizando contra toda forma de racismo com o tema: Vidas Negras importam.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estamos vivendo um momento muito ruim, de muito \u00f3dio e se queremos mudan\u00e7as precisamos ter representatividade nos diversos setores, principalmente na pol\u00edtica. N\u00e3o que as pessoas n\u00e3o negras n\u00e3o possam estar nos auxiliando, claro, pessoas anti-racistas, que est\u00e3o na luta conosco, mas somos n\u00f3s, que temos mais melanina na pele, \u00e9 que sabemos exatamente o nosso sofrimento di\u00e1rio. Minha fala \u00e9 a de que n\u00f3s possamos estar dentro de um espa\u00e7o de poder, para criar projetos para os jovens, poder realmente atuar, por exemplo, na quest\u00e3o das pessoas aut\u00f4nomas que muitas vezes por baixa escolaridade n\u00e3o conseguem um servi\u00e7o melhor.\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio estimular os jovens, homens e mulheres negras, representantes LGBT a participarem da pol\u00edtica para deixar a cara da c\u00e2mara de vereadores com a nossa cara, j\u00e1 que l\u00e1 \u00e9 a casa do povo ent\u00e3o o povo tem que estar tamb\u00e9m l\u00e1, no espa\u00e7o de poder, e n\u00e3o s\u00f3 sentado ouvindo os vereadores.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hoje em S\u00e3o Leopoldo as quest\u00f5es do povo negro s\u00e3o tratadas no <\/em><em>Comit\u00ea da Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Negra; Comiss\u00e3o \u00e9tnico racial dentro do Hospital Centen\u00e1rio; Comiss\u00e3o \u00e9tnico racial dentro do SEMAE; N\u00facleo \u00e9tnico racial na SMED onde durante o ano todo visitamos escolas , desde a educa\u00e7\u00e3o infantil at\u00e9\u00a0 os EJAs,\u00a0 levando discuss\u00f5es sobre a lei 10.639 com cine debates e oficinas de Abayomi, forma\u00e7\u00e3o junto a GCM, debates em OSCs e empresas privadas, atividades dentro de CTGs &#8211; reconhecimento aos Lanceiros Negros &#8211; inclus\u00e3o da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea da comunidade Negra dentro do Museu Visconde de S\u00e3o Leopoldo, inclus\u00e3o da cultura negra dentro da S\u00e3o Leopoldo Fest &#8211; desfile de mulheres negras e orix\u00e1s-; cria\u00e7\u00e3o do Conselho Municipal de Promo\u00e7\u00e3o de Igualdade Racial. Outras a\u00e7\u00f5es afirmativas do departamento de Igualdade Racial da secretaria de Direitos Humanos: forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnico racial em terreiros de umbanda; participa\u00e7\u00e3o em atividades com os imigrantes senegaleses e haitianos, tamb\u00e9m com a aldeia Ind\u00edgena Kaigang da Feitoria.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nadir Maria de Jesus que \u00e9 pr\u00e9-candidata a vereadora pelo PT, finaliza: <em>s\u00f3 poderemos fazer realmente grandes avan\u00e7os quando n\u00f3s estivermos l\u00e1 na decis\u00e3o, porque muita gente fala por n\u00f3s, homens falam muito por n\u00f3s mulheres, brancos falam muito por n\u00f3s negros, negros falam muito pelos ind\u00edgenas e assim vamos sempre dando espa\u00e7o para outras pessoas. \u00c9 necess\u00e1rio ocup\u00e1-los.<\/em><\/p>\n[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ra\u00e7a, verdade ou forma de justificar o injustific\u00e1vel? 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