{"id":1836,"date":"2020-12-10T19:29:21","date_gmt":"2020-12-10T22:29:21","guid":{"rendered":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=1836"},"modified":"2021-05-20T22:26:13","modified_gmt":"2021-05-21T01:26:13","slug":"junho-2020","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=1836","title":{"rendered":"&#8220;EU TENHO MEDO!&#8221; &#8211; Uma an\u00e1lise do discurso da direita."},"content":{"rendered":"\n[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_row column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||4px|||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Noticiario_Claudia-Junho2020Destacada.png&#8221; title_text=&#8221;Noticiario_Claudia-Junho2020Destacada&#8221; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; show_in_lightbox=&#8221;on&#8221; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||22px|||&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; custom_margin=&#8221;32px||||false|false&#8221; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<h1>&#8220;EU TENHO MEDO!&#8221;<\/h1>\n<h2>Uma an\u00e1lise do discurso da direita.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Rosana em conversa com Renato Almendares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<span>Regina Duarte, a namoradinha do Brasil, agora ex-secret\u00e1ria da cultura, disse em 2002: \u201ceu tenho medo\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o se deu num v\u00eddeo de apoio a Jos\u00e9 Serra que disputava com Lula da silva o pleito naquele ano. A vit\u00f3ria veio para Lula e todas as previs\u00f5es catastr\u00f3fica de Regina Duarte n\u00e3o aconteceram, pelo contr\u00e1rio, os dados econ\u00f4micos daquele per\u00edodo aparecem com curvas ascendentes e positivas, mas ela continuou com medo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Ent\u00e3o onde reside tal medo? <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Quem sabe grande parte deste temor se assente na palavra LIBERDADE.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Vejamos ent\u00e3o, afim de nos localizarmos, o sentido desta palavra a partir de alguns pensadores. Para Espinoza (1632-1677), a palavra est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 ideia de responsabilidade. Ser livre implica em assumir o conjunto de nossos atos e responder por eles. Sartre (1905-1980), nos traz a ang\u00fastia do homem diante do fato dele estar condenado a fazer escolhas enquanto livre. Esta ang\u00fastia leva muitos a se isentarem de tais escolhas seguindo cegamente religi\u00f5es ou ideologias, transferindo assim a responsabilidade. No sentido inverso \u00e0 liberdade <\/span>\u00c9tienne de La Bo\u00e9tie (1530-1563) <span>no seu <em>Discurso\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;5px|||||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;]<p style=\"text-align: justify;\"><span><em>da Servid\u00e3o Volunt\u00e1ria<\/em> demonstra que a submiss\u00e3o ou at\u00e9 o desejo pela condi\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de servid\u00e3o, pode estar ancorado no <em>h\u00e1bito<\/em>, ou seja, pessoas que n\u00e3o t\u00eam lembran\u00e7a alguma do estado de liberdade; na <em>covardia<\/em> quando o s\u00fadito fica t\u00e3o inebriado pelo teatro, jogos e farsas promovidas pelo tirano que perde qualquer for\u00e7a e energia de rea\u00e7\u00e3o; e na <em>estrutura hier\u00e1rquica e burocr\u00e1tica,<\/em> onde uns poucos mais pr\u00f3ximos do poder possuem abaixo de si algumas centenas de subalternos, que por sua vez possuem alguns milhares a servi\u00e7o e todos se sentem protegidos por pertencerem a esta estrutura. La Bo\u00e9tie nos lembra que um tirano n\u00e3o tem amigos e que ele ser\u00e1 destru\u00eddo no momento em que o pa\u00eds se recusar a servi-lo. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio tirar-lhe nada, basta que ningu\u00e9m lhe d\u00ea coisa alguma. Por fim Mikhail Bakunin (1814-1876) n\u00e3o nos deixa esquecer que a condi\u00e7\u00e3o de liberdade \u00e9 eminentemente social, ela s\u00f3 pode ser concretizada em sociedade, pois corresponde ao pleno desenvolvimento de todas as faculdade e poderes de cada ser humano pela educa\u00e7\u00e3o, pelo treinamento cient\u00edfico e prosperidade material.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>Como secret\u00e1ria da cultura Regina Duarte estava no papel de defender a liberdade, mas que liberdade \u00e9 essa defendida por ela?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>O que vemos claramente em tempos de neoliberalismo \u00e9 que a extrema direita cultua a liberdade do mercado, a ideia dos fortes vencendo os mais fracos, a liberdade de contratos de trabalhos sem regras, a liberdade para oprimir, enfim, liberdade para atender interesses inconfess\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 14px;\">O fato da cultura e da arte n\u00e3o terem interesses pr\u00e9-definidos \u00e0s transforma em alvo direto de regimes fascistas. A arte enquanto um meio que visa um fim pode at\u00e9 interessar, mas a arte enquanto um fim em si mesma \u00e9 subversiva justo por n\u00e3o ter compromisso com nada. N\u00e3o tendo compromisso com nada est\u00e1 livre para denunciar a falsidade dos discursos contradit\u00f3rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 14px;\">A arte \u00e9 o campo f\u00e9rtil da imagina\u00e7\u00e3o e Adorno (1903-1969) nos diz que o ser humano s\u00f3 faz aquilo que \u00e9 capaz de imaginar e o campo da cultura e da arte s\u00e3o os espa\u00e7os de fomento de outros futuros poss\u00edveis. Bem por isso pa\u00edses desenvolvidos incentivam e d\u00e3o suporte financeiro aos artistas, ao contr\u00e1rio das ditaduras onde a cultura e a arte passam a ser seu primeiro alvo. O opressor precisa calar o povo para continuar oprimindo. Calar os artistas significa matar a subjetividade da na\u00e7\u00e3o, significa acabar com a possibilidade de imaginar e realizar um futuro melhor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo do opressor tem nome, chama-se LIBERDADE.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;]<h1><strong>Entrevista<\/strong><br \/> Claudia Severo<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com forma\u00e7\u00e3o em Jornalismo na UNISINOS-RS e Artes C\u00eanicas na UNIRIO-RJ Claudia Severo hoje dedica-se, entre tantas outras atividades, \u00e0 sua P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o na Faculdade Angel Vianna no Rio de Janeiro. Com uma vida dedicada ao teatro a atriz realizou suas primeiras atua\u00e7\u00f5es em Bras\u00edlia com o espet\u00e1culo \u00daltimo Rango e Circo Udigrudi, al\u00e9m de participa\u00e7\u00f5es com o Grupo Liga Tripa. Retornando a S\u00e3o Leopoldo intensifica sua trajet\u00f3ria art\u00edstica e funda em 1987 o grupo <strong>\u201cTeatro<\/strong> <strong>Corpos &amp; Sombras\u201d<\/strong>. Lecionou teatro em diversas escolas e atrav\u00e9s da oficina <strong>\u201cSer\u00e1 que eu levo jeito pra isso?\u201d <\/strong>incentivou o fazer art\u00edstico e revelou novos talentos. Em reconhecimento a sua atua\u00e7\u00e3o em prol da Arte e Cultura Leopoldense, a C\u00e2mara Municipal lhe homenageia em sess\u00e3o solene no ano de 1994 e convida a representar o Poder Legislativo no conselho Municipal de Cultura (regulamentado em 1996), passando a integrar a diretoria do mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em busca de aperfei\u00e7oamento partiu para o Rio de Janeiro e voltou \u00e0s atividades acad\u00eamicas cursando teatro na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UNIRIO. Al\u00e9m da universidade fez v\u00e1rios cursos e oficinas de Corpo e Movimento, Express\u00e3o Corporal, Teatro de Rua, Teatro Ritual, Palha\u00e7aria, e T\u00e9cnicas Circenses, com profissionais renomados nacionalmente e internacionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claudia pesquisa e investiga dentro das artes da cena. Da linguagem do palha\u00e7o nasceu o Pirulito Cartola, que j\u00e1 esteve em atua\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios eventos pelo Brasil e atualmente no espet\u00e1culo CIRCOCICLETA. Investiga tamb\u00e9m o trap\u00e9zio fixo e a corporeidade do atuador na poesia do espa\u00e7o, tendo como inspira\u00e7\u00e3o a dimens\u00e3o po\u00e9tica Artaudiana, a express\u00e3o corporal proposta por Klauss Vianna, a dan\u00e7a-teatro de Pina Bausch, o teatro de Grotowski e a antropologia teatral de Eug\u00eanio Barba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando perguntada sobre como est\u00e1 sendo este per\u00edodo sob a pandemia do Covid-19, Claudia responde:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>T\u00e3o f\u00e1cil \u00e9 a nossa alegria se desvanecer nestes tempos onde n\u00e3o podemos ir \u00e0 rua ocupar os espa\u00e7os p\u00fablicos, j\u00e1 que, Ocupa\u00e7\u00e3o Cultural, \u00e9 um conceito que norteia o trabalho do grupo Corpos &amp; Sombras, que nestes 33 anos faz parte da minha trajet\u00f3ria art\u00edstica. Uma vida, dedicada ao teatro, posteriormente ao circo, a dan\u00e7a e nos \u00faltimos 11 anos \u00e0 Arte de Rua! <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Eu pessoalmente, escolhi a Rua como forma de express\u00e3o. N\u00e3o escolhi como forma de ganhar dinheiro ou pensando virar celebridade, menos ainda por seguir modismo da nova tend\u00eancia est\u00e9tica contempor\u00e2nea. Para mim, levar a arte para a rua, n\u00e3o faz parte de um projeto espetacular somente, mas um projeto de vida. Este \u00e9 o princ\u00edpio fundante de minha miss\u00e3o como artista. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nesse momento est\u00e1 sendo uma luta di\u00e1ria me manter viva. N\u00e3o estou aqui falando de todas as dificuldades que os tempos de isolamento social me imp\u00f5e, onde apresenta\u00e7\u00f5es, oficinas, ocupa\u00e7\u00e3o e todos os projetos foram e est\u00e3o sendo cancelados. Tamb\u00e9m n\u00e3o falo pelas contas que chegam, pela comida que acaba, por pertencer ao grupo de risco ou pela inseguran\u00e7a de n\u00e3o vislumbrar a luz no \u201cfim do t\u00fanel\u201d. Esse inimigo invis\u00edvel me tira o direito de exercer o que mais amo fazer: estar ali frente a frente, olho no olho com o p\u00fablico. \u00c9 disso que falo. Desse contato atrav\u00e9s da arte que me afeta ao afetar o p\u00fablico. Daquele sorriso, daquele olhar, daquele abra\u00e7o, daquele carinho no final do espet\u00e1culo, daquele agradecimento por eu existir como artista. Para mim essa tem sido a maior dificuldade: n\u00e3o poder ter com o p\u00fablico, essa troca viva de afetos, encontro e celebra\u00e7\u00e3o da vida! Falo, de uma linguagem que tem sua singularidade, sua est\u00e9tica pr\u00f3pria, que n\u00e3o \u00e9 inferior nem superior a outro tipo de po\u00e9tica art\u00edstica. Falo da especificidade, desse campo de possibilidades, pluralidades, territorialidades da liberdade de express\u00e3o, da ruptura moment\u00e2nea de condutas rotineiras do espa\u00e7o urbano, as quais s\u00e3o de tamanha relev\u00e2ncia para n\u00f3s artistas de Rua. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nesse momento tudo parece se esvair ao vento\u2026<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mundialmente o Covid-19 est\u00e1 causando impactos avassaladores na economia, impactos esses, que todo segmento cultural est\u00e1 enfrentando, em especial no nosso pa\u00eds. Como consequ\u00eancia, alternativas para driblar essa pandemia devem ser pensadas. Nesse sentido Claudia integra o Comit\u00ea Emergencial pela Cultura de S\u00e3o Leopoldo, \u00a0grupo que re\u00fane representantes de v\u00e1rias linguagens e express\u00f5es art\u00edsticas (m\u00fasica, dan\u00e7a, literatura, teatro, circo, design, artes visuais, audiovisual), al\u00e9m de t\u00e9cnicos e membros do Conselho Municipal de Pol\u00edticas Culturais, que lutam por medidas emergenciais ao setor cultural, em face das medidas adotadas para restringir o cont\u00e1gio pela Covid-19. Essas medidas, necess\u00e1rias, atingiram fortemente o setor com o cancelamento de apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e o fechamento de espa\u00e7os culturais p\u00fablicos e privados. Lutam, tamb\u00e9m, pela aprova\u00e7\u00e3o da lei 1075 \u2013 Aldir Blanc aprovada na C\u00e2mara Federal e no Senado e que, at\u00e9 a data deste depoimento, aguardava ser sancionada pelo presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEI DE EMERG\u00caNCIA CULTURAL ALDIR BLANC \u2013 Lei 1075<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Disp\u00f5e sobre a\u00e7\u00f5es emergenciais destinada ao setor Cultural. Foi aprovada pelo Congresso Nacional e pelo Senado Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Esta verba pertence a Cultura. Nenhum valor ser\u00e1 tirado de outros setores, ser\u00e1 apenas encaminhada ao seu destino por direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O Setor Cultural, tamb\u00e9m movimenta a economia Brasileira e os trabalhadores da Cultura e participantes da cadeia produtiva art\u00edstico cultural merecem todo o respeito e serem amparados, nesse momento de impossibilidade de manter o seu of\u00edcio de forma presencial.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;EU TENHO MEDO!&#8221; Uma an\u00e1lise do discurso da direita. &nbsp; Por Rosana em conversa com Renato Almendares. &nbsp; \u00a0Regina Duarte, a namoradinha do Brasil, agora ex-secret\u00e1ria da cultura, disse em 2002: \u201ceu tenho medo\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o se deu num v\u00eddeo de apoio a Jos\u00e9 Serra que disputava com Lula da silva o pleito naquele ano. 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