{"id":1828,"date":"2020-12-10T19:20:42","date_gmt":"2020-12-10T22:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=1828"},"modified":"2021-05-20T22:27:01","modified_gmt":"2021-05-21T01:27:01","slug":"maio-2020","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/?p=1828","title":{"rendered":"MESTI\u00c7O \u00c9 QUE \u00c9 BOM &#8211; Uma homenagem a Darcy Ribeiro"},"content":{"rendered":"\n[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_row column_structure=&#8221;1_2,1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/almendares.com.br\/rosana\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Jornal-Noticiario-Maio-2020.jpg&#8221; title_text=&#8221;Jornal Notici\u00e1rio Maio-2020&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; box_shadow_style=&#8221;preset3&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_2&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; custom_margin=&#8221;36px||||false|false&#8221; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;]<h1>MESTI\u00c7O \u00c9 QUE \u00c9 BOM<\/h1>\n<h3>Uma homenagem a Darcy Ribeiro<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que falta faz Darcy Ribeiro agora. Imaginar que j\u00e1 tivemos pessoas desta estatura pensando o Brasil, criando universidades, atuando nos quadros do governo e hoje nos vemos em meio a terraplanistas que atacam a cultura por medo do pensamento cr\u00edtico e discriminam seguimentos da popula\u00e7\u00e3o incentivando o preconceito e racismo.\u00a0 Mas resta a obra de Darcy Ribeiro, seu legado, que nos apresenta o Brasil como uma etnia nacional, um povo-na\u00e7\u00e3o assentado em um territ\u00f3rio. O brasileiro como a utopia de um novo come\u00e7o, diferente do que j\u00e1 havia. Um Brasil mesti\u00e7o de brancos, ind\u00edgenas e negros e por isso mesmo valoroso.<\/p>\n<h2>O NOVO MUNDO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros europeus que aqui chegaram logo se misturaram aos ind\u00edgenas, povoaram a regi\u00e3o com os mamelucos, criaram algo novo. N\u00e3o tinham por objetivo transformar estas terras em uma r\u00e9plica da Europa. Desde Portugal sonhavam com um mundo novo, colorido, onde todos teriam o que comer e um abrigo para viver. Aqui chegando encontraram uma popula\u00e7\u00e3o alegre, que agradecia aos esp\u00edritos pelo mundo ser t\u00e3o bonito e cuja finalidade da vida era &#8230; VIVER.<\/p>\n[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;]<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\">O exterm\u00ednio dos ind\u00edgenas por parte do europeu s\u00f3 teve in\u00edcio a partir de 1530, quando a corte decidiu transformar o Brasil em col\u00f4nia produtiva. Os dois projetos de coloniza\u00e7\u00e3o que se opunham, ou seja, o colonial que queria aliciar os ind\u00edgenas como for\u00e7a de trabalho e o religioso que queria criar com esses ind\u00edgenas uma rep\u00fablica, levaram ao genoc\u00eddio e a tentativa de anular a cultura destes povos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendemos com Darcy Ribeiro que existe pouca coisa mais resistente do que a etnia. Ela \u00e9 garantida atrav\u00e9s da transmiss\u00e3o de conhecimentos dos pais para os filhos. \u00c9 assim que ciganos s\u00e3o ciganos e judeus s\u00e3o judeus por mil\u00eanios apesar de tudo pelo que j\u00e1 passaram. E os ind\u00edgenas resistem. Resistem como um povo que tem o costume de compartilhar os saberes e n\u00e3o guard\u00e1-los para adquirir poder ou dinheiro, onde a terra \u00e9 de todos e o chefe \u00e9 o representante da cultura e da experi\u00eancia daquela etnia sem jamais dar ordens a qualquer um. Resiste seu conhecimento da medicina natural e principalmente sua sabedoria em viver em harmonia com a natureza. O ind\u00edgena sempre ser\u00e1 ind\u00edgena e quando lutamos pela garantia de seus direitos estamos protegendo a n\u00f3s mesmos, a nossa origem, a nossa identidade, a nossa hist\u00f3ria como brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muito desconhecimento e preconceito em torno deste assunto. \u00a0Acredito que uma das causas se deva \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sup\u00e9rfluas, se n\u00e3o distorcidas, que recebemos desde os bancos escolares. Minha gera\u00e7\u00e3o aprendeu que o Brasil foi \u201cdescoberto\u201d pelos portugueses sem que se considerasse o fato de que aqui j\u00e1 existiam milh\u00f5es de ind\u00edgenas e que em poucos anos esses milh\u00f5es foram transformados em alguns milhares devido aos massacres ocorridos. Aprendemos na escola alguns de seus costumes, seu legado para nossa culin\u00e1ria e que eram pregui\u00e7osos no trabalho escravo. Comemor\u00e1vamos o dia do \u00edndio como data de festa, sem o entendimento de que \u00e9 uma data de luta e conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, gra\u00e7as \u00e0 internet, temos acesso facilitado a estudos de antrop\u00f3logos, soci\u00f3logos, indigenistas e ambientalistas que h\u00e1 muito se debru\u00e7am sobre este tema. Existem document\u00e1rios e filmes maravilhosos, al\u00e9m de sites de organiza\u00e7\u00f5es que lutam pelos direitos destes povos. Por\u00e9m estas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam aos ve\u00edculos de massa com a for\u00e7a que deveria. Ao contr\u00e1rio, vemos programas patrocinados pelo agroneg\u00f3cio apresentando \u201ccasos de sucesso\u201d de parcerias entre este setor e aldeias ind\u00edgenas, sem mostrar o contraponto de que essa pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 consenso entre os povos e sem mostrar as invas\u00f5es de terras e assassinatos que est\u00e3o ocorrendo nas diversas regi\u00f5es brasileiras promovidos por agropecuaristas, mineradores e grileiros. O atual governo por sua vez, incentiva estas a\u00e7\u00f5es seja por declara\u00e7\u00f5es infelizes, seja por a\u00e7\u00f5es diretas dos minist\u00e9rios do Meio Ambiente, Justi\u00e7a, Agricultura e Direitos Humanos cujo \u00faltimo interesse neste momento \u00e9 o reconhecimento dos direitos dos povos origin\u00e1rios.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_divider _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.7.3&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;]<h1><strong>Entrevista<\/strong><\/h1>\n<h2>K\u00e1tia Simone Muller Dickel, Mestre em educa\u00e7\u00e3o \u2013 UFRGS<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00e1tia Simone Muller Dickel \u00e9 formada em Letras Portugu\u00eas \/Espanhol pela Unisinos (2008) e foi justamente na gradua\u00e7\u00e3o, numa aula de Literatura que se sensibilizou pelas quest\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conta K\u00e1tia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aula era sobre as contribui\u00e7\u00f5es da cultura ind\u00edgena e em meio \u00e0 preconceitos e julgamentos referente ao modo de ser e estar no mundo desses povos, surgiu o desejo de fazer meu trabalho de conclus\u00e3o sobre a tem\u00e1tica ind\u00edgena na escola.\u00a0 No primeiro semestre de 2006 conheci meus amigos kaingang da Aldeia Por Fi G\u00e3, localizada em S\u00e3o Leopoldo,\u00a0num bairro pr\u00f3ximo \u00e0 minha casa. A partir de ent\u00e3o,\u00a0come\u00e7amos juntos a tran\u00e7ar estrat\u00e9gias de projetos interculturais. Em 2009, entrei na UFGRS num programa de educa\u00e7\u00e3o continuada,\u00a0oferecido pelo governo federal. Nesse ano conheci v\u00e1rios estudantes kaingang e muitos pesquisadores estudando sobre os povos origin\u00e1rios. Em 2010 passei na sele\u00e7\u00e3o de mestrado e\u00a0minha orientadora da pesquisa foi a Dr. Maria Aparecida Bergamashi, uma l\u00edder no grupo de pesquisa\u00a0(CNPq). Minha pesquisa de mestrado foi sobre as experi\u00eancias interculturais de estudantes kaingang que frequentavam uma escola n\u00e3o ind\u00edgena. Realizei um estudo\u00a0etnogr\u00e1fico dentro da Aldeia,\u00a0acompanhando as aulas do professor, Mestre em educa\u00e7\u00e3o pela UFRGS &#8211; Dorvalino Refej Cardoso, durante o ano de 2011 e 2012. E em 2012 tamb\u00e9m acompanhei as aulas de um grupo de kaingang dentro de uma escola n\u00e3o ind\u00edgena\u00a0(Escola Estadual Hayd\u00e9e Mello Rostirolla), localizada no nosso bairro Feitoria-Cohab. A partir de meu estudo ficou evidenciado as dificuldades desse povo e suas estrat\u00e9gias de conviv\u00eancia com o outro, pois na escola n\u00e3o ind\u00edgena ainda predomina a idealiza\u00e7\u00e3o por parte de algumas pessoas dessa comunidade escolar como tamb\u00e9m preconceitos. A partir de minha pesquisa senti a necessidade de fazer um trabalho de interven\u00e7\u00e3o com essa comunidade que chamo de sensibiliza\u00e7\u00e3o, num futuro trabalho de doutorado.\u00a0 Os estudantes kaingang\u00a0 precisam ser acolhidos, me parece que a escola Hayd\u00e9e apenas presta um favor \u00e0 comunidade ind\u00edgena,\u00a0 j\u00e1 que a escola na Aldeia \u00e9 de Ensino Fundamental at\u00e9 o 5\u00ba ano, portanto,\u00a0 as crian\u00e7as e jovens que desejam seguir seus estudos precisam frequentar escolas fora. Os enfrentamentos s\u00e3o in\u00fameros desde o modo de ser e estar no mundo at\u00e9 o modo de se comunicarem. Uma parcela da comunidade escolar n\u00e3o ind\u00edgena deseja conhec\u00ea-los, mas n\u00e3o sabe como fazer esse processo,\u00a0outra parte rotula os estudantes kaingang de incapazes,\u00a0 problem\u00e1ticos.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8220;Nesse sentido, percebi que pouco se sabe ou se investiga sobre a cultura ind\u00edgena, sobre seus desejos, seus fundamentos culturais, seus valores \u2013 enfim sua mentalidade e sensibilidade diante da vida. Ou seja, ainda o que mobiliza o interesse pelos ind\u00edgenas \u00e9 o ex\u00f3tico. E, uma das quest\u00f5es que me parece pertinente \u00e9: at\u00e9 quando a comunidade Hayd\u00e9e continuar\u00e1 desconectada dos estudantes Kaingang? Quais aprendizagens surgiriam se essa escola fizesse visitas \u00e0 escola ind\u00edgena e \u00e0 Aldeia Por Fi a fim de n\u00e3o s\u00f3 conhecer o lugar, mas de dialogar, experimentar, viver-com e sentir-com?\u00a0 Os desafios s\u00e3o muitos e se lan\u00e7am em diferentes sentidos \u2013 entre eles, as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas e as pol\u00edticas p\u00fablicas. A rela\u00e7\u00e3o de conviv\u00eancia entre os ind\u00edgenas e a comunidade Hayd\u00e9e est\u00e1 costurada com os fios da incompreens\u00e3o, dos conflitos, das ambiguidades e dos desencontros, formando a rede do viver-com as diferen\u00e7as. Embora haja a aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, por parte dos alunos n\u00e3o ind\u00edgenas, que os aproximam, h\u00e1 distanciamentos entre os Kaingang e os professores, causados pelo emaranhado de incompreens\u00f5es. As exig\u00eancias de bom comportamento fazem parte desse emaranhado. Assim, os estudantes Kaingang experimentam sabores e dissabores nessa rela\u00e7\u00e3o conflitiva.&#8221; (DICKEL, p. 83, 2013). Diante dessas considera\u00e7\u00f5es da minha disserta\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m diante do panorama pol\u00edtico no nosso pa\u00eds onde h\u00e1 imposi\u00e7\u00f5es no sentido de &#8220;despejar&#8221; os mais de 300 povos ind\u00edgenas,\u00a0cada um com suas especificidades dentro do mesmo sistema capitalista vejo o retrocesso e muito descaso por parte da atual\u00a0conjuntura pol\u00edtica do pa\u00eds. De acordo com algumas pessoas da comunidade kaingang as pol\u00edticas p\u00fablicas pararam de crescer, isso deve ser pelo crescimento das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que acarreta em mais desigualdades em m\u00faltiplos planos acerca da nossa sociedade. Quando falo de retrocesso \u00e9 dentro do sentido de que h\u00e1 uma imposi\u00e7\u00e3o por parte de governantes de integrar essas popula\u00e7\u00f5es, violando os seus direitos de terem uma educa\u00e7\u00e3o intercultural e diferenciada, por exemplo.\u00a0 Numa roda de conversa dentro da Aldeia Por Fi G\u00e3, uma das mulheres mais velhas dessa comunidade, Dona Lurdes, desabafa do quanto \u00e9 dolorido viver na cidade,\u00a0longe de suas ervas medicinais,\u00a0dos rios, da mata. A vida na zona rural \u00e9 um desafio constante para continuarem passando seus ensinamentos culturais. H\u00e1 uma influ\u00eancia e uma interfer\u00eancia muito grande nos seus costumes. A nossa sociedade foi cruel quando empurrou esses povos para as cidades. Dentro dessa perspectiva vejo o quanto a pol\u00edtica p\u00fablica est\u00e1 engatinhando,\u00a0agora, nesse momento atual, est\u00e1 estagnada.\u00a0 \u00c9 preciso dar voz \u00e0s pessoas ind\u00edgenas,\u00a0escut\u00e1-los, ouvir suas queixas e anseios para juntos tran\u00e7armos estrat\u00e9gias de uma vida mais digna. Isso \u00e9 o m\u00ednimo que devemos nos propor a fazer.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MESTI\u00c7O \u00c9 QUE \u00c9 BOM Uma homenagem a Darcy Ribeiro &nbsp; Que falta faz Darcy Ribeiro agora. 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